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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Força, Fé e Foco

Eis que na semana passada fui presenteada com um textinho que falava dessas três palavras: FORÇA, FÉ e FOCO. Chegou na hora certa, e como quem precisa se segurar em arbustos na beira de um penhasco absorvi tais palavras como quem assimila, incorpora e evoca um mantra. Força, fé e foco, força, fé e foco, forçaféefoco... Sim. Isso segurou minha onda esses dias. Bastava evocar as palavrinhas e eu já estava lá, visualizando o objetivo, olhando pra frente pra não perder o foco, rogando à Deus pra não perder a fé. Mas a vida adora brincar de roda-viva, ficar mimetizando letra de Chico Buarque e lá se foi meu foco. Lá se foi a minha força. Lá se foi a minha fé. " A gente vai contra a corrente até não poder resistir, na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir". E eu fico aqui me perguntando o porquê dessa sensação de derrota, de não dar conta, de não conseguir caber nos moldes que eu mesma ando desenhando. Vivo tentando bancar Deus, sem perder essa mania de tentar salvar tudo e todos que aparecem em minha frente, sem sequer indagar quem quer e quem PRECISA ser salvo. Uma necessidade imbecil de ser necessária. Uma mania idiota de querer cuidar. Amélie Poulain da vida real deve ser uma histérica. Não tem romantismo, não é bonitinho querer consertar a vida alheia para não olhar pros meus próprios naufrágios, pra meu barco a deriva com uma tripulação sedenta diante de tanto mar.
Falando em Amélie, em 11 de novembro de 2010 postei o seguinte diálogo:
- Pintor: "Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes." 
- Amelie: "Hummm, pelo contrário. Talvez faça de tudo para arrumar a vida dos outros." 
- Pintor: "E ela? E as suas desordens? Quem vai pôr em ordem?"
E hoje isso faz ainda mais sentido pra mim.
Não estou conseguindo arrumar a minha bagunça, os armários estão revirados e os cantos das janelas ostentam teias. Eu quero, sim, a FORÇA, a FÉ e o FOCO de que falava o texto partilhado por alguém a quem devoto imenso amor. Mas quero que eles sejam legítimos, genuínos e não uma desculpa pra não olhar pros abismos na estrada. Eu quero a força que me sustenta, a fé que me ampara e o foco que me faz seguir adiante sem temor. Preciso disso pra contemplar meus abismos... e eu PRECISO contemplar meus abismos de tempos em tempos pra não esquecer que a vastidão já me levou por vários caminhos, mas eu sempre tenho pra onde voltar.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

sei lá, já fui mais de mil...

Conferindo posts antigos depois de lembrar que tenho blogs. Evocando cada sensação de quando aquelas palavras viraram textos, de quando elas passaram a ser emoções compartilhadas.
Blogueira e desistente de blogs desde 2003, com o Sol de Primavera, que se tornou eclipse eterno quando decidi que tudo aquilo só deveria morar em minhas lembranças e o apaguei. De vez em quando sinto saudadinha de reler algumas coisas, como o post que falava da solidão da 'elefanta' de circo e o menino de rua, ou dos comentários carinhosos que recebi por todos aqueles anos. Mas não, aquela não era mais eu... ou pelo menos era uma eu que não queria mais se mostrar. A eu que se mostra hoje está nas redes sociais, brincando com os irmãos e amigos, postando piadinhas internas e músicas que me tocam... e essa eu se mostra muito menos, mesmo que se exiba pra 410 "amigos". A eu que não se mostra está cada vez mais escondida, apesar da casca melhorada, da polidez, da aparente amabilidade. Essa que sou hoje busca um silencioso equilíbrio e se pergunta coisas cujas respostas já sabe, mas anseia por um milagre que as mude. A eu de hoje continua criando enigmas que nem são tão difíceis assim de decifrar, mas tenho medo de, mesmo decifrando-os, ser devorada.