Prezada Hilda Hilst, sei que a senhora já morreu, embora pareça eterna quando te leio... mas peço-lhe a gentileza de parar de roubar minha vida e escrever sobre meus desejos em seus poemas. Sobretudo aqueles do livro Do Desejo, que há tantos anos perdi. Fineza parar de acordar as inquietudes da minha alma, levantar a poeira que escondo atrás das cortinas e me fazer querer ser menos racional. Se não for pedir demais, arruma um poeminha que faça com que tudo pareça fácil, perfeito e adormeça esse monstro desperto que me ameaça a vida. "Se eu disser que vi um pássaro Sobre o teu sexo, deverias crer? E se não for verdade, em nada mudará o Universo. Se eu disser que o desejo é Eternidade Porque o instante arde interminável Deverias crer? E se não for verdade Tantos o disseram que talvez possa ser. No desejo nos vêm sofomanias, adornos Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro Voando sobre o Tejo. Por que não posso Pontilhar de inocência e poesia Ossos, sangue, carne, o agora E tudo isso em nós que se fará disforme?" UPDATE: Já pode morrer depois de ter encontrado esse vídeo?
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