quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Peço, por gentileza!

Prezada Hilda Hilst, sei que a senhora já morreu, embora pareça eterna quando te leio... mas peço-lhe a gentileza de parar de roubar minha vida e escrever sobre meus desejos em seus poemas. Sobretudo aqueles do livro Do Desejo, que há tantos anos perdi. Fineza parar de acordar as inquietudes da minha alma, levantar a poeira que escondo atrás das cortinas e me fazer querer ser menos racional. Se não for pedir demais, arruma um poeminha que faça com que tudo pareça fácil, perfeito e adormeça esse monstro desperto que me ameaça a vida.


"Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.

No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso 
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?"

UPDATE: Já pode morrer depois de ter encontrado esse vídeo?
http://www.youtube.com/watch?v=85Bt6AprKlA

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